1.
Quando te vi, ali, deitada na cama
meio em sonho, meio em coma
seu sorriso ficou mórbido
(e você fria… branca… frígida)
dali a pouco estava morta
e eu não me mostrei arrependido
pela facada, pelo tiro
por te empurrar abaixo-escada
(pelo veneno que escorria)
e você, já morta, morria…
Alguém poderá dizer que eu ria,
mas a culpa foi da bebida:
e martírio por martírio
diz-se do assassino: artista!
e do artista: assassino!
* * *
O segredo das horas
Ah, meu bem! O cinza do dia
Em claro e bom tom, anuncia
O segredo das horas, dos olhos.
O cinza quieto e indiscreto
Transa nas palavras
O verbo que traçamos naquele dia.
Meu bem! Meu bem!
De repente, temos um teto
E um segredo espalhado ao vento
(e que vento!)
Deixa um sorriso (e o cinza inquieto!)
Talvez, como diriam, uma retomada:
Sou cinza e pintei o dia de cinza
Pra valorizar o amor no verso
Pra desabrochar em qualquer palavra.
de João Gabriel Furbino
